Talvez seja por isso que a Torá se inicia com a Criação para ensinar-nos que D'us é a Fonte de tudo:
"Eu formei a luz e criei as trevas; Eu crio a paz e crio o mal". (Isaias 45-7).
A Cabalá ensina que Adão, o primeiro ser humano, era uma composição de todas as futuras almas da humanidade. Portanto, quando ele (todos nós) comeu da Árvore do Conhecimento do Bem e do Mal, o mal foi "mesclado" com a bondade inerente do mundo. Como nós, coletivamente, trouxemos o mal ao mundo, temos agora a responsabilidade de elevá-lo. No decorrer de nosso dia, temos oportunidades de corrigir os enganos que a humanidade cometeu em um estágio menos maduro de sua existência, escolhendo "fazer o bem e afastar-se do mal"(Salmos 37:27).
Ao escolher criteriosamente, iluminamos os recessos mais escuros do universo, e devolvemos uma centelha da Criação a seu estado original e puro.
Por que D'us criou o mal? Para que pudéssemos rejeitá-lo. As pessoas não nascem más; nascem com potencial. Antes do nascimento, diz o Talmud, um anjo leva a pessoa perante D'us e pergunta o que ela será. D'us decreta muitas coisas, tais como os talentos, riqueza e até mesmo o nome do cônjuge. Mas D'us nunca decreta se você irá ou não procurar um cônjuge. É um mandamento, e cabe a você fazer isso.
D'us também não decreta se você usará seus dons para finalidades boas ou más. Os pais, a criação e o ambiente, todos estes fatores influenciam aquilo que você será.
Entretanto, D'us criou um mundo onde as pessoas decidem o que fazer. Podem usar seus atributos Divinamente concedidos para ajudar as pessoas, ou para feri-las.
Diferenciar o certo do errado não é tão fácil quanto diferenciar a direita da esquerda. Esta busca por respostas é uma razão pela qual o judaísmo coloca tanto valor no estudo de Torá. Seus textos morais e legais nos ensinam o que fazer e a melhor forma de utilizar nosso potencial.
A Torá é o manual de moralidade da raça humana. A Torá define o que é bom e o que é mau.
Quando você faz aquilo que a Torá diz, está fazendo o bem. Quando não faz o que diz a Torá ou quando faz o que a Torá manda não fazer está fazendo o mal. (Mas isso somente se você está familiarizado com a Torá, e age propositadamente contra ela. Quando você faz o bem, é recompensado, e quando pratica o mal, é castigado.
Parece simples? É exatamente o contrário. Não existe um Catálogo de Recompensa e Punição no judaísmo, relacionando pecados específicos ou boas ações e suas consequências específicas, e portanto, não sabemos quais ações provocarão quais reações por parte de D’us. A menos que você seja um profeta e não existem profetas atualmente não pode concluir que o filho do Sr. Fulano morreu porque não comeu alimentos apropriado (kosher) ou que o Sr. Sicrano contraiu a Doença de câncer porque é um trapaceiro.
Somente D’us pode realmente discernir e decidir em assuntos de bem e mal, e as recompensas e punições relativas. Nós simplesmente não sabemos. Sendo principiantes, não sabemos o que é realmente bom, o que é realmente mau, ou quem é verdadeiramente bom ou mal.
Assim, o sofrimento nem sempre é castigo, o castigo nem sempre é sofrimento, o bem nem sempre é uma recompensa, e o mal não é sempre uma punição.
Somente D’us pode dizer. Todo o caminho de um homem é reto a seus próprios olhos, mas o Senhor pesa os corações. ( Provérbios 21:2)
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