A seguinte história, é mais um episódio pelo qual passamos e será sempre lembrada como mais um ato de heroísmo do povo judeu, nos momentos mais obscuros da humanidade.
PRIMAVERA DE 1944, o horror do terror Nazista chegou ao norte da Transilvânia, incluindo a província de Marmurese e a cidade de Leordina. Os nazistas enfileiraram todos os judeus matando vários no processo, e deportando os remanescentes para o campo de morte infame de Auschwitz.
Yechezkel Klein, sua esposa, Devorah, e seus dois filhos pequenos, um menino e uma menina, estavam entre aqueles que foram cruelmente tirados de suas casas e vidas. Os nazistas eram rudes na sua crueldade: a chegada em Auschwitz trazia a morte imediata para a jovem mãe e seus filhos, e um horror trágico para Yechezkel, um jovem de 28 anos de idade. Um chassid e um estudioso do Talmud, que sentava e estudava na Yeshivah de Sigit, suas mãos que estavam acostumadas a virar páginas dos textos clássicos da Torá dia e noite não sabiam nada do que era o trabalho pesado e manual.
Os alemães escolhiam os homens jovens e fortes para quebrá-los de tanto trabalho pesado. Yechezkel Klein teve que trabalhar numa pedreira quebrando pedras. Ele era forçado a trabalhar por horas sem fim com poucos farelos de pão para se alimentar. Seu coração estava pesado com a perda de sua esposa e filhos. Yechezkel, como muitos outros, trabalhava pesado, cumprindo ordens sem pensar, existindo apenas pelo instinto de sobrevivência. E, no entanto, no meio de tantos horrores, ele se esforçou para cumprir as mitsvot, o máximo que podia, sabendo que cada dia poderia ser seu último.
Ele escondeu seus Tefilin bem e se levantava todos os dias cedo para colocá-los, rezando para D’us deixar a ele, e seus amigos, sobreviverem de algum modo a miséria que era constante naquele inferno.
Seus Tefilin, eram grandes e dificeis de esconder. Ele fazia o possivel.
Um dia, enquanto estava vestido com o Tefilin, um dos guardas nazistas irrompeu nos barracões. Gritando ao ver um judeu envolvido com Tefilin. A besta nazista começou então a bater na cabeça de Yechezkel com o fundo de seu rifle, mais e mais, chutando e pisando no seu corpo estendido no chão. Ele não parou até que o corpo de Yechezkel estivesse coberto de sangue e inconsciente no chão. Milagrosamente, ele recuperou consciência algum tempo depois, no dia seguinte, percebendo o quão perto tinha estado de partir desse mundo, e sabendo que tinha que achar um modo melhor de esconder seus Tefilin,
Cada dia trazia mais mortes em Auschwitz, seja pela brutalidade dos nazistas, por doença ou fome, ou pelo sofrimento dos corações e corpos quebrados. Uma dessas mortes deixou um par de Tefilin menores e bem mais fáceis de esconder. Deixando de lado toda a ligação sentimental com seus Tefilin que tinha desde o seu bar-mitsvah Yechezkel os trocou pelos Tefilin daquele mártir de Auschwitz.
JANEIRO DE 1945 trouxe o avanço das tropas russas. Os comandantes de Auschwitz apressaram a matança de quantos mais pudessem, mandando mais de 58 mil prisioneiros para as marchas da morte. Nos últimos dias de Janeiro os russos liberaram Auschwitz encontrando 600 corpos que os nazistas tinham matado nos seus esforços frenéticos ao evacuar o campo na sua retirada.
Também encontraram 7.650 prisioneiros sobreviventes, doentes e famintos. Desses, os russos pegaram todos os que trabalharam no campo, os consideraram conspiradores com o inimigo e os mandaram para a Siberia como prisioneiros de guerra, junto com oficiais e soldados alemães que ficaram para trás.
Yechezkel Klein estava entre os injustiçados. Fraco, quebrado, ele ficou preso junto com outros 200 judeus, prisioneiros do exército russo.
Na viagem até a Siberia as condições eram as piores possiveis. Num dia, um soldado nazista caiu na neve fervendo de febre. Sedento de água naquele estado, ele implorou para as pessoas ao seu lado que lhe dessem um pouco de água. Todos sabiam que com essa doença, beber água traria uma morte rápida e dolorosa. Cheio de amargor e sem esperança com sua própria situação, Yechezkel pegou neve e deu para o soldado caído. “Que ele tenha o que quer e morra”, ele pensou.
Logo depois o soldado realmente morreu.
Chegando na Siberia no meio do inverno terrível, Yechezkel continuou colocando os Tefilin mesmo naquele momentos turbulentos.
NUMA MANHÃ, PERTO DO FIM DE 1946, enquanto Yechezkel estava envolvido nos seus Tefilin, com seus olhos fechados, rezando de coração, ele de repente ouviu o estrondo de botas pesadas no chão ecoando pelos corredores vazios daquele prédio deserto. Não tinha onde se esconder ou para onde fugir. O som aumentava até que Yechezkel resolveu fechar os olhos e rezar com todo o seu coração, lágrimas escorreram de seus olhos, as palavras do Shemá Yisrael sairam de seus lábios antecipando o momento final tão certo.
O tempo parou, o silêncio era absoluto, Yechezkel mantinha seus olhos apertados e fechados, esperando pelo tiro.
O que ele sentiu foi um tapinha na sua bochecha. ”Shhhh… não vou te machucar. Você ficará bem.”
Ele ouviu as palavras suaves em russo, e pensou que deveria estar sonhando. Ele abriu seus olhos e se viu face-a-face com um oficial russo.
O oficial lhe olhava com um sorriso nos lábios e lágrimas nos seus olhos. Percebendo que o oficial deveria ser também judeu, Yechezkel começou a chorar agora incontrolavelmente. O oficial também chorou, dizendo que se recordava de seu avô de pé colocando seus Tefilin e rezando.
“Diga-me, o que posso fazer para te ajudar meu irmão,” o oficial implorou.
“Você pode nos ajudar a nos libertar? Nós somos 18 judeus no total, que ainda sobrevivemos dos 200 que foram tirados de Auschwitz há quase um ano. Só queremos voltar para nossas casas e viver algum tipo de vida.
Você pode nos ajudar?” Perguntou com esperanças, Yechezkel.
Ele prometeu fazer o possivel e duas semanas depois Yechezkel Kein e outros 18 judeus que sobreviveram foram libertados da Sibéria temível. Fracos mas vivos chegaram até suas casas para reconstruir suas vidas das cinzas da tragédia.
Yechezkel Kelin foi para Leordina onde casou com sua segunda esposa, Leah. Juntos foram para Israel. Sua filha Chaya Beila nasceu em Chipre no caminho de Israel. Seu filho Moshe já na terra prometida, onde Yechezkel passou todo momento que tinha imerso nos livros sagrados da Torá.
Yechezkel teve o mérito e prazer de ver seus filhos crescerem e se casarem, embora sua saúde nunca tenha se recuperado. Infelizmente ele não viu todos os seus 18 netos nascerem. Ele faleceu no dia 2 de Tevet 5745 (1984).
Hoje, graças a D’us, vários dos seus netos e bisnetos carregam orgulhosamente o seu nome, de um judeu simples, mas sagrado. Com a bençao de HaShem que possam ser muitos mais,
18 netos, 18 que foram salvos… façam a matemática
Fonte: TorahMail
