sábado, 23 de abril de 2022

O Oitavo Dia de Pêssach

O Sétimo Dia de Pêssach

Comemora o milagre da “Abertura do mar Vermelho”, quando o mar se abriu permitindo a passagem de todo o povo judeu e salvando-o definitivamente da escravidão do Egito.

O Oitavo Dia de Pêssach

Yizkor, uma reza especial em memória a entes queridos já falecidos que pode incluir pai, mãe, irmãos ou cônjuge, é recitada, segundo o costume ashkenazi, após a leitura da Torá.

Neste último dia, há também uma tradição do Báal Shem Tov (fundador do Movimento Chassídico) de promover uma refeição festiva especial após a reza da tarde, Minchá, conhecida como “Seudat Mashiach”, em antecipação à redenção.

"A alma do homem é a lamparina de D’us"

 

A iluminação pode ser fornecida de duas maneiras. A pessoa pode ser uma fonte de luz, ou pode refletir a luz vinda de outro local, como um espelho.

A luz de Moshê era original. Embora Yehoshua não fosse destituído de originalidade, sua contribuição mais importante foi que ele refletiu a luz de Moshê, tornando-se assim um dos líderes mais notáveis de Israel.

"A alma do homem é a lamparina de D’us" (Mishlê 20:27). Todos têm a responsabilidade de lançar luz sobre o mundo. Algumas pessoas podem gerar luz, ao passo que outras podem iluminar o mundo ao refletirem a luz.

Para refletir a luz, deve-se ficar perto de uma fonte geradora de luz. O espelho mais polido não pode refletir qualquer luz se for mantido no escuro.

Se nos associarmos com aqueles que são espirituais, nós também brilharemos, e ajudaremos a espalhar a sua luz. E sobre aqueles que espalharam luz e foram recolhidos para iluminar os céus, que seu exemplo e sua memória possam iluminar nossos caminhos na Terra até a chegada de uma nova era.

No momento há um silêncio para reflexão e para em seguida tomar decisões capazes de refinar nosso comportamento e ações, enquanto nossos representantes no Tribunal Celestial pleiteiam para que a metamorfose ocorra imediatamente, quando a luz emanará de Mashiach e todos voltarão a brilhar no mundo físico unido para sempre ao espiritual.

Que seja imediatamente!

sétimo dia de Pêssach 

 Saquarema 22 de Abril de 2022/ Nissan 5782

Um dos mais importantes elementos de Pêssach, a festa que celebra a liberdade do povo judeu, é que serve como uma preparação para a completa e eterna Redenção, através da vinda de Mashiach. Assim, o versículo declara: "Revelarei maravilhas [ao tempo da Redenção Final que serão] similares [àquelas que foram reveladas] ao tempo do êxodo do Egito." De fato, o êxodo do Egito tornou possíveis todas as redenções subsequentes, bem como tornará a final.

Os primeiros dias de Pêssach estão mais relacionados ao êxodo do Egito, enquanto que os últimos dois estão conectados à Redenção final. Isto também pode ser observado através da leitura da Haftará durante os dois últimos dias.

A Haftará do sétimo dia de Pêssach é a Canção de David, pois neste dia (bem como no último dia de Pêssach), há uma referência à Mashiach, descendente de David. Acontece principalmente a respeito da Haftará no último dia, a qual fala diretamente sobre a Redenção vindoura.

Durante estes dois últimos dias de Pêssach, a maior ênfase na Redenção final encontra-se no último dia, Acharon shel Pêssach, quando a Haftará fala aberta e longamente sobre a Redenção vindoura, e sobre a personalidade do próprio Mashiach, condutor do mundo àquele tempo, e da colheita dos judeus.

A relação entre Acharon shel Pêssach e a Redenção vindoura foi revelada de forma ainda mais aprofundada pelo Báal Shem Tov, que instituiu uma terceira refeição especial, antes do término de Pêssach, chamando-a "Seudat Mashiach", porque "este dia é iluminado por um raio da luz de 

Mesmo antes do Báal Shem Tov instituir esta refeição adicional, Mashiach era comemorado pela Haftará especial recitada em Acharon shel Pêssach. Qual o significado de celebrar algo tão elevado como a Redenção futura com uma refeição material a mais?

Comemorando a Redenção vindoura de tal modo, faz com que seu brilho permeie o indivíduo não somente em pensamento e fala (algo conseguido ao recitar-se a Haftará), mas também no corpo físico. Dessa maneira este conceito é assimilado dentro do próprio corpo da pessoa. Além disso, celebrar e comemorar por meio de uma refeição salientam a santidade que permeará todo o mundo físico quando Mashiach vier. Pois àquele tempo "a glória de D'us será revelada, e toda carne contemplará..." Esta influência do espiritual sobre o material é melhor percebida pela santificação do alimento.

Pois um judeu faz uma refeição comum com a intenção de trazer santidade a este mundo, mais ainda com respeito a uma refeição num dia sagrado!

Seguramente, então a "Seudat Mashiach" anual em Acharon shel Pêssach nos permite compreender melhor como toda a parte física será imbuída de santidade ao tempo da Redenção.

O efeito deste evento especial certamente não se limita ao próprio dia de Acharon shel Pêssach. Ao contrário, a idéia é afetar o judeu durante todo o ano, de tal maneira que tudo que faça em relação ao mundo físico seja permeado com santidade e espiritualidade, como a espiritualidade que impregnará o mundo quando da chegada de Mashiach.

A lição de Acharon shel Pêssach, entretanto, não está limitada à relação do ser humano ao mundo físico; relaciona-se também ao âmago de cada alma judia. Acharon shel Pêssach proporciona a cada judeu revelar este âmago durante todo o ano, e desse modo servir a D'us com cada fibra de seu ser.

quinta-feira, 21 de abril de 2022

Leituras Bíblicas para os Último Dias de Pessach


 Leituras Bíblicas para os Último Dias de Pessach 

Sétimo dia

Leitura da Torá

A leitura da Torá (Êxodo 13:17-15:26) descreve as experiências de Israel após o êxodo. 

Faraó mobiliza o exército egípcio e começa sua perseguição aos israelitas em fuga. Quando Moisés e os filhos de Israel chegam ao Mar Vermelho, Moisés ergue sua vara, as águas se separam e os israelitas são milagrosamente salvos. Quando os egípcios chegam à água, eles ficam atolados, afundam e se afogam. 

Moisés e os filhos de Israel cantam um magnífico cântico de ação de graças.

Leitura de Haftará

A Haftará, Segundo Samuel 22,  se conecta ao tema da ação de graças na leitura da Torá. 

Na Haftarah, o rei Davi compõe sua própria canção de agradecimento a Deus por todas as suas vitórias e livramentos do inimigo. 

A Haftarah conclui com esta frase, que também é incluída na conclusão da graça após as refeições: “Uma torre de salvação do seu rei, que mostra misericórdia ao seu ungido, a Davi e a seus herdeiros para sempre” (Segundo Samuel 22:51).

Oitavo dia

Leitura da Torá

A leitura da Torá para o oitavo dia da Páscoa (Deuteronômio 15:19-16:17) trata de uma variedade de leis, incluindo aquelas relacionadas aos dízimos, ao ano da soltura, à soltura dos escravos e uma descrição abrangente das três festas de peregrinação.

Leitura de Haftará

A Haftarah, do Livro de Isaías (Isaías 10:32-12:6), começa com uma previsão de que a Assíria será derrotada.

 Esta profecia se torna realidade. A Haftarah continua com a mensagem de esperança de Isaías de que os israelitas serão novamente reunidos das terras de exílio e retornarão a Israel.

A Haftará também contém a famosa grande visão da Era Messiânica, quando a paz e a harmonia reinarão supremas entre todas as pessoas. Como a Haftará contém várias alusões à redenção do Egito, foi especialmente escolhida para ser cantada no último dia da Páscoa.

A Canção das Canções

Costuma-se ler o livro bíblico Cântico dos Cânticos. 

A tradição rabínica interpreta o livro como uma canção de amor, onde o “amado” é entendido como Deus e “ a noiva” para significar a congregação de Israel. 

Essa tradição tornou o Cântico dos Cânticos especialmente apropriado para a Páscoa, porque marcou, por assim dizer, o início do namoro de Israel e Deus antes que, metaforicamente falando, eles finalmente se casassem no Monte Sinai pela aceitação da Torá por Israel.

Outra razão dada para a leitura deste livro na Páscoa é que é uma canção da primavera. 

Para o poeta e o cantor, a primavera é sinônimo de esperança e felicidade. A esperança de um povo está em sua liberdade e em seu apego à lei de Deus.

Esta também é a lição da Páscoa, pela qual o povo de Israel lutou desde que deixou a servidão egípcia, e esta é a mensagem eterna que deseja transmitir a toda a raça humana.

Extraído com permissão do Guia de cada pessoa para a Páscoa  ( Jason Aronson, Inc ).


E o Mar 🌊 se abriu


Os últimos dias de Pessach serão comemorados da noite de hoje até a noite de domingo marcando o milagre da abertura do mar e a fé da futura redenção na vinda do Mashiach. Lemos a porção da Torá que relata os momentos dramáticos do povo diante do mar, perseguidos pelos egípcios e a canção de louvores que o povo inteiro, comandado por Moshé, pronunciou ao ver o milagre. Não é somente rememorar o milagre de 3.334 anos atrás, mas sim, como explicam os livros místicos, existe uma mensagem relevante para nossa época.

O Egito representa um estado mental, psicológico e espiritual, significa limites e barreiras. A saída do Egito representa, portanto, a capacidade de nos libertar de nossas limitações, rompermos as barreiras e superarmos os obstáculos. O auge desse processo interior de superação e liberdade está representado na abertura do mar. O mar, de acordo com a Cabalá, representa ocultação, um véu que encobre a presença de D-s e a verdadeira essência do ser humano. Portanto a abertura do mar significa a capacidade do ser humano de revelar e descobrir o D-s oculto, bem como trazer à tona as riquezas espirituais profundamente enraizadas em nosso interior. A abertura do mar é a abertura de novos horizontes. É a redescoberta da identidade interior.

Muitas vezes em nossas vidas nos deparamos diante de um "mar" repleto de problemas de todos os tipos. Parece que estamos sendo perseguidos e cercados por todos os lados, sem escapatória. Não temos tempo para a família, para nós mesmos e para aquilo que realmente importa. Os obstáculos parecem intransponíveis e nossas forças se esgotam. Porém, é nesses momentos que devemos lembrar que este "mar" é somente um véu, uma ocultação, que em verdade visa provocar a revelação da presença divina e do nosso eu interior.

Devemos transformar o mar em terra firme, revelando o que temos de melhor. Infelizmente um grande mar, resultado dos problemas do dia a dia, não possibilita a apreciação do nosso tesouro interior. O que D-s deseja de nós é que tenhamos suficiente fé e coragem de acreditarmos nesse potencial e nos dedicarmos a revelá-lo em nosso cotidiano.

Uma pequena história pode ilustrar isso de maneira mais clara.

Dois camponeses russos, Yuri e Ivan, conversavam. Yuri se vira para Ivan e afirma:

"Não quero mais pagar impostos ao czar".

"Por quê?" questionou Ivan.

"Você sabe onde produzem os rublos? No próprio palácio do czar! Por que ele não fica com todos os rublos que deseja e deixa nossos rublos em paz!", respondeu indignado Yuri.

"Ah, você não entende as coisas Yuri. O czar não quer simplesmente ter rublos, ele quer os SEUS rublos".

Apesar de D-s ser a fonte da bondade, Ele não quer simplesmente a bondade, Ele quer a bondade que vem de você. Aquilo que só você é capaz de dar. D-s quer que possamos enxergar através das águas de nossas almas e libertarmos nossa essência interior de forma completa. A cada ano vivenciamos esse milagre, tornando visível nossa riqueza interior aplicada na prática do dia a dia. Este é o nosso rublo, que aproximará a vinda do Mashiach brevemente em nossos dias.

Shabat Shalom e Pessach Kasher veSameach

Rabino Gabriel Aboutboul

sábado, 16 de abril de 2022

Pêssach 5782. SHABAT SHALOM PÊSSACH KASHER VESAMÊACH

Saquarema RJ Brasil. Pêssach 5782. 

SHABAT SHALOM PÊSSACH KASHER VESAMÊACH

Shabat e Pêssach em casa com minha família e amigos. 

Saímos do Egito unidos, como um só povo. Somente quando voltarmos a nos unir seremos libertados deste nosso atual exílio.

Desejo a todos um feliz Pêssach e uma renovação da esperança de um mundo de paz, saúde e amor, onde todos possam desfrutar de uma vida plena, de harmonia e liberdade.

Baruch Atá A-do-nai, E-lo-hê-nu Mêlech haolam, asher kideshánu bemitsvotav, vetsivánu lehadlic ner shel Shabat, Ner shel yom tov.
Bendito és Tu, A-do-nai, nosso D-us, Rei do Universo, que nos santificou com Seus mandamentos, e nos ordenou acender a vela do santo Shabat E yom tov 

Quando o Eterno restaurou a sorte de Sião ficamos como quem sonha... então a nossa boca se encheu de riso e a nossa língua de júbilo. Tehilim 126.1-2
E que nada nos roube o amor que carregamos e a vontade de viver.
   Que os nossos passos, ainda que incertos, sigam o caminho mais bonito, aquele que termina em frente ao mar, onde há brisa, calmaria e onda beijando a areia.
Que nada nos tire o brilho do olhar e a esperança no amanhã, e que, mesmo sofrendo, saibamos nos alegrar com a alegria de alguém.
Que as nossas angústias não nos parem, nem nos impeçam de ver a beleza das flores e o encanto das estações, e que, apesar dos nossos temporais, sejamos capazes de reconstruir nossa morada com serenidade no coração. 
Que saibamos a hora certa de falar e calar, e que possamos descobrir a grandeza existente no escutar.
Que os nossos aprendizados sejam pontes por onde passam o servir, a generosidade e a doação.
E que consigamos entender que, a felicidade é sempre o processo, os durantes, o caminho, o trajeto do trem da vida, nunca o ponto final.
"Ergo meus olhos para o alto de onde virá meu auxílio. Meu socorro vem do Eterno, o Criador dos céus e da terra. Ele não permitirá que resvale teu pé, pois jamais se omite Aquele que te guarda.” Tehilim - Salmo 121(1:3)

Cuida de nós, ó Eterno, e estende sobre nós o manto de Tuas bênçãos!
Shabat Shalom amigos! Paz para o mundo! Shalom!
SHABAT SHALOM PÊSSACH KASHER VESAMÊACH