Introdução
Apresentamos neste pequeno livreto o conto
" O Rei Que Decretou Conversão ",
chamado
" História de Milagres ", um dos
" Contos de Tempos Antigos " de Rebe Nachman de Breslev ( 4 de Abril de 1772 16 de Outubro de 1810 ) . Estes contos são muito elevados e estão imbuídos de segredos da Torá. O intelecto da Torá está neles oculto, possuindo, assim, o poder de aproximar o indivíduo a D'us.
Em seguida vem a Lição 24 do Likutey Moharan Parte 2 , que traz a famosa frase ( transformada em música )
" Mitzvá gedolá lihiot beshimchá tamid "
( É uma grande mitsvá estar sempre alegre ) . Aqui será possível ver a sequência destas palavras animadoras. Por fim, a Lição 25 do Likutey Moharan Parte 2, que traz outro ensinamento básico do grande Rebe: a meditação e prece espontânea ao Criador. Que as palavras aqui trazidas possam trazer mérito a todo o povo de Israel e a todo o mundo, e que desta forma D'us nos salve de todas as epidemias que se alastram pelo mundo, tanto fisicas como espirituais .
" O Rei Que Decretou Conversão "
Havia uma vez um rei que decretou em seu país a expulsão por meio de decretos anti - religiosos. Quem quisesse ficar no país teria que se converter; caso contrário, seria expulso. Alguns renunciaram a todas as suas propriedades e riquezas e partiram na pobreza, de forma a permanecerem com sua fé judaica. Outros, lamentando a perda de suas riquezas, permaneceram lá, Secretamente tornando-se marranos. praticavam a religião judaica, mas publicamente não se comportavam como judeus. O rei faleceu e o seu filho se tornou rei. Ele começou a governar o país com mão firme, conquistou muitos países e era um grande sábio. Porém, como controlava com severidade os ministros do reino, estes se reuniram e conspiraram para eliminar o monarca e sua descendência.
Entre os ministros estava um dos marranos, que refletiu: "Por que sou um marrano ? Porque lamentei a perda do meu dinheiro e propriedades. Quando o país ficar sem rei, as pessoas comer-se-ão vivas umas às outras, pois é impossível ter um país sem um governante". Por este motivo, decidiu ir sozinho ao rei, sem 0 conhecimento dos outros ministros, e avisá-lo. Ele contou ao soberano que estavam conspirando contra ele. O rei investigou se era verdade e, confirmada a veracidade, deixou guardas a postos. Na noite do atentado, os ministros foram presos e o rei julgou cada um de acordo. O rei disse ao ministro marrano: "Que honra posso dar-lhe por ter salvo a mim e a minha descendência? Se eu quisesse fazer de você ministro-você já o é de qualquer forma. Se fosse dar-lhe riquezas -você já as tem. Diga que honra deseja e irei concedê-la ". O marrano perguntou :
" Mas Vossa Alteza fará o que eu pedir? " O monarca respondeu: " Sim, certamente farei o que você quiser " . O marrano disse: " Jure por sua coroa e por seu reino". O rei jurou. O marrano disse: " A minha principal honra é poder ser judeu publicamente, colocar talit e tefilin publicamente". O rei ficou muito zangado, pois em todo o seu país não era permitido viver abertamente como judeu. Contudo, devido ao juramento, não teve outra escolha; ele jurou que faria o que seu ministro pedisse. Pela manhã, o marrano colocou talit e tefilin publicamente. Depois disso o rei faleceu e o seu filho tornou-se rei. Ele começou a governar o país pacificamente, pois viu como quiseram eliminar seu pai. Ele conquistou diversos países e era um sábio muito grande.
Certa vez ordenou a todos os astrólogos que se reunissem para revelar de que forma a sua descendência poderia ser destruída, para que assim pudesse se proteger. Os astrólogos disseram sua que a descendência não seria destruída, desde que ele se resguardasse do boi e do carneiro, e escreveram isso no Livro das Crônicas. O monarca ordenou aos seus filhos para governarem o país de modo pacifico, tal como ele havia feito, e faleceu. Seu filho se tornou rei e começou a governar o país severamente, tal como seu avô, conquistando muito países. Ele decretou que não houvesse nenhum boi ou carneiro em seu reino, para que sua descendência não fosse destruída. Raciocinando que assim não precisaria ter medo de nada, governou o país de forma muito severa e tornou-se um sábio muito grande.
Então ele idealizou um plano de como conquistar o mundo inteiro sem recorrer à guerra. Existem sete regiões no mundo, pois, como é sabido, o mundo é dividido em sete partes. Existem também sete corpos celestiais
[ lua, sol, marte, etc.] e cada corpo celestial brilha numa parte do mundo. Similarmente, existem sete tipos de metal [ ouro, prata, bronze , etc.] e cada um dos corpos celestiais brilha em um tipo de metal. O monarca juntou todos os sete tipos de metal e ordenou que fossem trazidos todos os retratos de todos os reis, feitos de ouro, que pendiam em seus palácios. Disso tudo ele moldou um homem: sua cabeça era de ouro, seu corpo de prata e os outros membros eram dos outros tipos de metal. Assim, o homem continha todos os sete tipos de metal.
Ele colocou a imagem numa montanha alta e todos os sete corpos celestiais a iluminavam. Quando alguém precisava de um conselho ou queria saber se era para fazer determinado negócio ou não, ele se colocava próximo ao membro da estátua feito com o tipo de metal correspondente à mundo de onde ele era parte do proveniente e pensava se devia fazê-lo ou não. Se fosse para fazer, o membro acendia e brilhava. Se não, escurecia. Assim, o monarca conquistou o mundo inteiro e acumulou uma imensa fortuna. Porém, a estátua humana só tinha esse poder com a condição de que o rei rebaixasse os orgulhosos e elevasse os humildes . Ele formulou um decreto real, estipulando que todos os generais e ministros com cargos de alto - escalão e privilégios fossem a sua presença Quando se apresentaram diante dele, rebaixou-os de posto e retirou-lhes os cargos.
Mesmo aqueles que já recebiam privilégios desde a época de seu trisavô, ele os tirou. Promoveu pessoas humildes e as colocou no lugar da elite rebaixada. Entre os ministros rebaixados estava o marrano. O rei perguntou-lhe: "Quais são os seus privilégios e responsabilidades? "Ele respondeu: "Meu privilégio é ter permissão para ser judeu em público, devido ao favor que fiz ao seu avô. "O rei retirou o privilégio e ele voltou a ser um marrano. Certa noite, o rei se deitou para dormir e viu num sonho que o céu estava claro, e ele podia ver todas as doze Constelações do Zodíaco [As estrelas no céu estão divididas em doze partes correspondentes aos doze meses do ano. Uma parece um carneiro (Áries) e é a constelação do mês de Nissan; a constelação do mês de Iyar é chamada de Touro; e assim cada mês possui sua constelação]. Ele viu que dentre as Constelações do Zodíaco, o boi (Touro) e o carneiro (Áries) estavam rindo dele.
O monarca acordou com grande ira e ficou aterrorizado. Ordenou que fosse trazido o Livro das Crônicas (o livro onde tudo era escrito). Ele viu que estava escrito que sua descendência seria destruída pelo boi e pelo carneiro. Um grande temor tomou conta dele. Ele relatou o sonho à rainha e um grande temor recaiu sobre ela e seus filhos. Sua alma ficou muito perturbada. Ele convocou intérpretes de sonhos , mas cada um interpretou do seu ponto de vista e suas opiniões não o agradaram. Um imenso temor recaiu sobre ele. lhe Então, um sábio se aproximou e disse que tinha uma tradição recebida de seu pai que o sol tinha trezentos e sessenta e cinco cursos, e havia um lugar onde todos brilhavam. Ali crescia um Os cursos bastão de ferro e alguém que tivesse medo, quando fosse àquele lugar, seria curado de seu medo.
O rei aprovou a ideia e foi com sua esposa, filhos e toda sua descendência até aquele lugar, juntamente com o sábio. No meio do caminho havia um anjo que era encarreg da raiva, pois através da raiva um anjo destrutivo é formado, e ele estava no comando de todas as forças destrutivas. As pessoas lhe perguntavam o caminho, pois há um caminho reto diante do homem, um cheio de lama, outro cheio de buracos e poços e vários outros caminhos. Há um caminho onde havia um grande fogo e a uma distância de quatro milhas desse fogo, a pessoa era queimada. Eles perguntaram o caminho e o anjo indicou aquele onde havia o fogo.
A comitiva real seguiu em acompanhada pelo sábio. O sábio olhava sempre adiante para ver se havia aquele frente, fogo, pois ele tinha uma tradição do seu pai que lá havia este fogo. Depois de algum tempo de viagem ele avistou o fogo e viu que reis e judeus vestidos com talit e tefilin caminhavam através das chamas. Sendo que nos países daqueles reis os judeus podiam viver livremente, eles podiam caminhar através do fogo. O sábio disse ao rei: "Eu tenho uma tradição familiar de que uma pessoa pode incinerar-se a quatro milhas do fogo e por isso não quero continuar. Se quiser, continue". O rei viu os outros reis caminhando através do fogo e pensou que também poderia. O sábio insistiu: "Eu tenho esta tradição do meu pai, por isso não quero ir. Se Vossa Majestade quer ir, vá por sua conta". O rei foi com sua descendência e o fogo os consumiu, queimando a todos. Quando o sábio voltou ao palácio, os ministros ficaram perplexos com o fim do rei: "Uma vez que ele tinha se resguardado do boi e do carneiro, como ocorreu de ser destruído, ele e sua descendência?
"O ministro marrano disse: "Ele foi destruído por minha causa. Os astrólogos viram, mas não entenderam o que viram. Do couro do boi é feito o tefilin e da lã do carneiro são feitas as franjas do talit. Através deles, ele e sua descendência foram destruídos. Aqueles reis em cujos países os judeus podiam vestir o talit e o tefilin livremente caminharam através do fogo e não sofreram mal algum. Ele pereceu porque os judeus, que vestem, talit e tefilin foram proibidos de viver em seu país. É por isso que o boi (Touro) e o carneiro (Aries) do Zodíaco riram dele e os astrólogos viram, mas não entenderam o que viram. Foi por essa razão que ele e sua descendência foram destruídos."