Quando uma alma deixa seu corpo, adentra esse Mundo das Almas, onde permanece, em estado de repouso. Durante esse período, experimenta um sublime deleite. Seu nível, no Mundo das Almas, também é determinado por suas realizações, da mesma forma como o será em sua recompensa final. No entanto, a verdadeira perfeição destinada aos que desta são dignos, não é atingida somente pelo corpo ou pela alma, mas por ambas as partes, em conjunto, após a Ressurreição.
(Ver R. Bachya ad loc) (De Kidushin 71ª).
Uma mesma alma humana pode ser reencarnada várias vezes, em corpos diferentes, tendo dessa maneira oportunidade de retificar danos feitos em encarnações anteriores ou de atingir a perfeição não alcançada previamente. Em sua origem, a alma é parte da Essência Divina, sendo totalmente pura. Mas, em sua vida terrestre, pode desviar-se. Será, pois, necessário voltar para retificar os erros ou para tentar ascender a níveis espirituais mais elevados.
Ao cabo de todas essas encarnações, a alma é, finalmente, julgada. E esse julgamento depende de tudo o que aconteceu em suas várias encarnações, ou seja, de sua condição como ser vivente em cada uma destas.
É extremamente rígido o julgamento Divino de cada indivíduo. Abrange todos os aspectos de sua natureza e de sua exata situação. Porém, no Mundo Vindouro, o do Bem verdadeiro, cada indivíduo terá que arcar apenas com a responsabilidade por sua missão e ação neste mundo - e não pelo que não resulte de seus próprios atos. Contudo, o ponto crucial é o fato que tudo ser verdadeiro e justo, como afirma a Torá (Deuteronômio, 32: 7): "A obra do Criador é perfeita, todos os Seus caminhos são justiça".
Nada que foi criado pode englobar os pensamentos de D'us, nem a infinita profundidade do Seu plano. Sabemos apenas que o princípio da reencarnação, como uma das experiências humanas, também segue a regra do julgamento imparcial, determinado por D'us, para aperfeiçoar a humanidade como um todo. O princípio da reencarnação é o da continuidade, de maneira que uma obra não seja aniquilada pelo desaparecimento de um "ser".
A reencarnação pode ser explicada por uma bela analogia de Rabi Moshé Cordovero: é como a chama de uma vela, que pode acender muitas outras sem que sua própria flama se veja diminuída...
Bibliografia:
Kaplan, Rabi Aryeh, Handbook of Jewish Thought.
Cohen, Raphaël, Le Judaïsme en 7l thèmes.
Schneerson, Rebe Menachem Mendel, Rumo a uma vida significativa. A sabedoria do Rebe Adaptado por Simon Jacobson. Tradução Benjamin Albagli Neto, Editora Maayanot, São Paulo.
Luzzatto, Rabi Moshé Chaim, O caminho de D'us, anotado por Rabi Aryeh Kaplan, Editora Maayanot, São Paulo.
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